S18-04

S18-04

Inteligência artificial e “Fake News”

Tendo por base o desenvolvimento exponencial que os mecanismos de inteligência artificial têm tido nos últimos anos e tendo em conta as estratégias europeias sobre o combate à desinformação em linha, vimos questionar o papel dos mecanismos de inteligência artificial na consolidação, divulgação e criação das denominadas “fake news”, bem como o seu papel no combate à desinformação. Muitas das notícias falsas que são veiculadas nas redes sociais, são propagadas e alimentadas de forma quase epidémica por engenhos de inteligência artificial através de comentários, publicações ou outras formas de divulgação de conteúdos. A forma como funcionam as plataformas digitais e as aplicações da internet parece estimular a desinformação. Quanto mais “likes”, mais tempo as pessoas permanecerem nas plataformas, mais quantidade de reações aos “likes” e mais partilhas de conteúdos houver, mais relevante o conteúdo se torna e maior será a sua rentabilidade para quem o produziu. Nesse contexto, o desafio de produzir informação de qualidade torna-se mais premente e intensifica-se a responsabilidade daqueles que distribuem os conteúdos produzidos e a dos leitores que, com esta forma de informação e desinformação, deveriam adotar uma postura mais crítica em relação aos conteúdos que recebem. Se o nível de “inteligência” de algumas plataformas digitais revela já capacidade reativa e proactiva, demonstrando um nível de argumentação assinalável e uma capacidade de autoaprendizagem notável, é de questionar se haverá mecanismos que identifiquem e limitem a circulação das “fake news” com o objetivo de favorecer a transparência e a credibilidade das fontes de informação. O modelo que está a ser delineado à escala da União Europeia inclui medidas para fechar contas falsas, identificar as mensagens propagadas automaticamente por “bots” e a constituição de um grupo de verificadores de factos. Questiona-se se é possível ou desejável que a máquina ou o homem tenham poderes para definir o que deve ou não circular de informação na sociedade, e quais os critérios entre a verdade e a mentira, entre a informação e a opinião. Podemos estar a pôr em risco o que a internet produziu de melhor – a diversidade das fontes de informação – e a manipular a sociedade e a liberdade de expressão. As “fake news” constituem uma autêntica ameaça à sociedade e à democracia, mas as medidas tomadas para o combate à desinformação podem dar lugar ao mesmo resultado, ao implicarem uma vigilância massiva dos discursos em rede, autocensura e censura.

Fake News; Inteligência Artificial; Democracia; Liberdade de expressão

Firmantes

Nombre Adscripcion Procedencia
Mónica Martinez de Campos Universidade Portucalense - IJP Portugal
Rui de Morais Damas Universidade Portucalense - IJP Portugal

ORGANIZA

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